27 de setembro de 2010

Vagabundos Nutridos

Perguntei Dona Maria do segundo que entristecia
da dor zelosa da minha agonia
que se espalhava feito alergia

Dona Maria que nunca viu o mar
achou a cura para o meu sofrer
na intenção do movimento das ondas
nas majestosas contas do alvorecer

“Dança quando o sol chegar
que o dia vai nascer
independente do teu canto,
e não é o teu pranto que faz a terra escurecer
Mas se respostas você vem buscar,
eu sinto lhe dizer:
a vida é uma cantiga de roda,
faça um verso bem bonito, diga adeus e vá embora”

Amarrei segredos meus
com o cadarço do meu quichute
divaguei na quietude de uma rua mal-iluminada
das passarelas eu fiz calçada
parti nesse comboio que vai rumo ao nada

Dona Maria, na Serra do Cipó, reinava absoluta como um Prestes João]
e a batuta que ela traz nas mãos conduz o mundo em modo maior
e entra aquelas fogueiras e vales, onde os vagabundos iam se nutrir
não há no mundo ninguém que não cale
pra dona Maria se fazer ouvir

“Dança quando o sol chegar
que o dia vai nascer
independente do teu canto,
e não é o teu pranto que faz a terra escurecer
Mas se respostas você vem buscar,
eu sinto lhe dizer:
a vida é uma cantiga de roda,
faça um verso bem bonito, diga adeus e vá embora”

21 de setembro de 2010

"Às vezes imagino o que dirão de nós os futuros historiadores. Uma só frase lhes bastará para definir o homem moderno: fornicava e lia jornais. Depois dessa forte definição, o assunto ficará, se assim posso me expressar, esgotado".

In A. Camus, A queda.

1 de setembro de 2010

Movimento dos Barcos


Jards Macalé
Composição: Jards Macalé - Capinam

Estou Cansado E Você Também
Vou Sair Sem Abrir A Porta
E Não Voltar Nunca Mais
Desculpe A Paz Que Lhe Roubei
E O Futuro Esperado Que Nunca Lhe Dei
É Impossível Levar Um Barco Sem Temporais
E Suportar A Vida Como Um Momento Além Do Cais
Que Passa Ao Largo Do Nosso Corpo
Não Quero Ficar Dando Adeus
As Coisas Passando
Eu Quero É Passar Com Elas
E Não Deixar Nada Mais Do Que Cinzas De Um Cigarro
E A Marca De Um Abraço No Seu Corpo
Não, Não Sou Eu Quem Vai Ficar No Porto Chorando
Lamentando O Eterno Movimento Dos Barcos.

10 de agosto de 2010

Transcrições noturnas #02

"A lo largo del penúltimo andén el tren esperaba. Dahlmann recorrió los vagones y dio con uno casi vacío. Acomodó en la red la valija; cuando los coches arrancaron, la abrió y sacó, tras alguna vacilación, el primer tomo de Las mil y una noches. Viajar con este libro, tan vinculado a la historia de su desdicha, era una afirmación de que esa desdicha había sido anulada y un desafío alegre y secreto a las frustradas fuerzas del mal.

A los lados del tren, la ciudad se desgarraba en suburbios; esta visión y luego la de jardines y quintas demoraron el principio de la lectura. La verdad es que Dahlmann leyó poco; la montaña de piedra imán y el genio que ha jurado matar a su bienhechor eran, quién lo niega, maravillosos, pero no mucho más que la mañana y que el hecho de ser. La felicidad lo distraída de Shahrazad y de sus milagros superfluos; Dahlmann cerraba el libro y se dejaba simplemente vivir."

J. L. Borges em El sur

26 de julho de 2010

16 de julho de 2010

Sacrifício al revés


[SUPRIMIDO O EXÓRDIO]


Por ti yo
nunca dejaría mi vida
No perdería esas noches largas
Ni las del bar, ni las mías solas

Estar despierto es mi libertad

Mis bajas estrellas
Mi caminar junto al gris, sucio, libre

Perdería el sueño
El sueño para estar despierto
Y contigo pasar las noches
Oyendo voces durmientes
Sueños
Cómplices y íntimos

Y me levantaria tempranito
A las siete o peor
Y salía a trabajar
En días fríos de ciudades calientes, termales

Y esperaría el bus,
y hablaría con la gente
Diría el "buen día",
Quizás proclamando: "señor conductor"!

Para regresar, sin otros sueños
Si no de estar entre nuestras voces
Durmientes, calladas, íntimas, cómplices
Oyendo nuestro silencio