2 de janeiro de 2014


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

30 de maio de 2013

Submissa liberdade


É mais fácil combater a opressão quando se pode reconhecê-la personificada em opressores de carne e osso. A opressão sistêmica impessoal do mundo econômico faz aceitar como liberdade plena o que constitui um aprisionamento da humanidade ao sistema produtor de mercadorias e às suas formas. Não se enxerga uma saída porque sequer o problema é divisado. Parece não haver contra quem lutar em favor da liberdade, afinal, supõe-se que ela já foi atingida. Pode-se apenas reivindicar mais da mesma “liberdade” de produzir, comercializar e consumir para atender à necessidade cega e autocentrada do crescimento; apenas mais da mesma liberdade de ser prisioneiro dessa forma social vazia que torna supérflua a humanidade. A reboque, o abstrato conceito de democracia: o legítimo governo do povo aprisionado às formas não percebidas de submissão.

"A ilusão democrática consiste precisamente em que a forma de vontade transcendental pressuposta e a restrição por ela condicionada da vontade empírica da maioria permanece escondida" (R. Kurz).

11 de fevereiro de 2013

A busca

Quando morei em Niterói, durante o mestrado, dividi um apartamento com dois camaradas de turma: Wellington e Rodrigo. Lembro-me de, tarde da noite, ao ir à cozinha beber um copo de água, ver escapar pela soleira das portas fechadas de cada um de seus quartos a fina banda de luz amarela que transbordava para o corredor escuro do apartamento e indicava que os dois ainda estavam acordados, depois de meia-noite, estudando. Eu não podia me dar o luxo de dormir antes deles.

De uma outra forma, sou sempre estimulado pelo meu amigo Pedro a participar de outra bela competição silenciosa e sem fim: a literatura. Gosto de partilhar o imaginário dos livros que lemos em comum e de colocar na minha lista de leitura os que ele já leu. E cada vez que leio um livro de verdade, tenho vontade de que ele o leia também. Em busca do tempo perdido tem me dado as mais belas sensações afloradas pela palavra escrita.

13 de outubro de 2012

Febre de elefante



Acabei de escrever muito tarde, quase cedo. Estava cansado, mais que o de costume. O vento frio que entrava pela janela atingira diretamente minha garganta. Percebi que estava febril. O corpo doía. Deixei-me cair na cama ao lado, a luz ainda acesa. Os pesadelos provocados pela febre são sempre terríveis; também as febres provocadas por pesadelos. Se a febre é uma defesa do organismo, seria o pesadelo uma defesa da mente?

Eu era elefante. Eu não sabia, ou não tinha plena consciência disso, mas era elefante. Era difícil me mover, os espaços eram curtos. Sentia uma grossa carcaça de pele pesando toneladas sobre minhas costas. Minhas mãos e pés, minhas patas, eram como rochas. Calor, fazia muito calor. Meus olhos eram sensíveis a tanta luminosidade. Tinha sede e buscava o mar. Ninguém se incomodava com minha condição. Eu era elefante, mas não sabia. Os outros sabiam, mas não se importavam. E eu seguia pelas ruas, entre as gentes. Queria água, um banho, se possível, de mangueira. Cheguei a um ponto alto. A rua descia em ladeira diante de mim. Pude ver, no fim do declive, uma mureta que separava o passeio das ondas que arrebentavam do outro lado. Os elefantes migram? Cheguei até ali por instinto. E foi puramente instintivo o trote paquidérmico que me fez despencar desabalado do alto da ladeira em direção à mureta. Corri e quase não era mais um elefante, mas o chão ainda tremia sob meu estouro solitário. Algumas pessoas na rua me olhavam, mas apenas com uma curiosidade despreocupada. Eu me concentrava na mureta. A inclinação da descida se amainava, mas a inércia ainda me impelia como um bólido. Eu enxergava a mureta se aproximando e já não podia diminuir a velocidade. A tromba levantada, pensei sorrir, mas sobreveio um bramido que ressoou por todo o universo. Enfim, fui notado. Rompi a mureta e mergulhei no mar.

Acordei livre da febre, mas senti que havia esquecido muita coisa. A alma humana é muito frágil para suportar o peso de um elefante.

10 de outubro de 2012

Sons



Rodolfo,
Quando cheguei, não só a luz, mas também o som era distinto. O som dos carros, esse é o mesmo, do café fervendo, dos talheres batendo sobre o prato, dos passos na calçada. O que encontrei de diferente foi o som das pessoas falando entre si em diversos lugares, em diversas situações. Não era exatamente a voz ou a língua estrangeira que me deslocavam do silêncio ruidoso a que eu estava acostumado, mas era o som das palavras que eu não conseguia roubar de uma conversa alheia na rua, no metrô, na fila da padaria. Não conseguia mesmo se quisesse, como muitas vezes queria, mas não por ser baixo o volume, não por serem desconhecidas as palavras, mas pela modulação da voz ao cochichar, ao falar para um outro que não eu, que meus ouvidos não reconheciam como fala, mas como um barulho que me cercava o tempo todo em lugares públicos.

Outro dia, notei sem querer, como acontece com a maioria as coisas importantes, que esse som desapareceu. Ele foi substituído pelo som das pessoas que falam e que eu entendo; um som das palavras como os demais, apenas em outra língua. As pessoas ao meu redor continuam cochichando como antes, mas aquele ruído de outrora deu lugar a palavras e sentidos que posso identificar. A língua me aprisionou enquanto eu caminhava na calçada e não pude deixar de ouvir o que um casal conversava no bar ao lado. Não posso mais andar por aí livre e alheio. Entendo os cochichos e isso me permite roubá-los disfarçadamente de vez em quando.

14 de junho de 2012

lampejos. memoria involuntaria

explodiu um. dois. tres. fogos aqui no céu pela minha janela
ouvi dispararem os alarmes dos automoveis: os trovões em Bogotá
rômulo, a vida é boa por aí?
quatro! a igreja!
é 13 de junho, e aqui se comemora santo antonio.

18 de janeiro de 2012

Transcrições noturnas #6

"Não compreendo mais essas populações dos trens de subúrbio, esses homens que pensam que são homens e que entretanto estão reduzidos por uma pressão que eles mesmos não sentem, como formigas, ao uso que deles se faz. Como enchem eles, quando estão livres, seus absurdos pequenos domingos ?
Uma vez, na Rússia, ouvi tocar Mozart numa fábrica. E escrevi isso. Recebi duzentas cartas de injúrias. Nem por isso detesto os que preferem os berros dos cabarés. Eles não conhecem outra música. Detesto, sim, os proprietários dos cabarés. Detesto os que estragam os homens (...)
(...) Há alguns anos, durante uma longa viagem de estrada de ferro, resolvi visitar aquela pátria em marcha em que ficaria por três dias, prisioneiro, durante os três dias, daquele ruído de seixos rolados pelo mar. Levantei-me. Pela uma hora da madrugada corri os carros, de ponta a ponta. Os dormitórios estavam vazios. Os carros de primeira classe estavam vazios.
Mas os carros de terceira estavam cheios de centenas de operários poloneses despedidos na França, que voltavam para a sua Polônia. Caminhei pelo centro do carro levantando as pernas para não tocar nos corpos adormecidos. Parei para olhar. De pé, sob a lâmpada do carro, contemplei naquele vagão sem divisões, que parecia um quarto, que cheirava a caserna e a delegacia, toda uma população confusa, sacudida pelos movimentos do trem. Toda uma população mergulhada em sonhos tristes, que regressava para a sua miséria. Grandes cabeças raspadas rolavam no encosto dos bancos. Homens, mulheres, crianças, todos se viravam da direita para a esquerda, como atacados por todos aqueles ruídos, por todas aquelas sacudidelas que ameaçavam seu sono, seu esquecimento. Não achavam ali a hospitalidade de um bom sono.
E assim eles me pareciam ter perdido um pouco a qualidade humana, sacudidos de um extremo a outro da Europa pelas necessidades econômicas, arrancados à casinha do Norte, ao minúsculo jardim, aos três vasos de gerânio que notei outrora nas janelas dos mineiros poloneses. Nos grandes fardos mal arrumados, mal amarrados, eles haviam juntado apenas seus utensílios de cozinha, suas roupas de cama e cortinas. Mas tudo o que haviam acariciado e amado, tudo a que se haviam afeiçoado em quatro ou cinco anos de vida na França, o gato, o cachorro, os gerânios, tudo tiveram de sacrificar, levando apenas aquelas baterias de cozinha.
Uma criança chupava o seio de sua mãe que de tão cansada parecia dormir. A vida transmitia-se assim no absurdo e na desordem daquela viagem. Olhei o pai. Um crânio pesado e nu como pedra. Um corpo dobrado no desconforto do sono, preso nas suas vestimentas de trabalho, um rosto escavado com buracos de sombra e saliências de ossos. Aquele homem parecia um monte de barro. Era como um desses embrulhos sem forma que se deixam ficar à noite nas bancas dos mercados. E eu pensei: o problema não reside nessa miséria, nem nessa sujeira, nem nessa fealdade. Mas esse homem e essa mulher sem dúvida se conheceram um dia, e o homem sorriu para a mulher; levou-lhe, sem dúvida, algumas flores, depois do trabalho. Tímido e sem jeito, ele temia ser desprezado. Mas a mulher, por faceirice natural, a mulher, certa de sua graça, talvez se divertisse em inquieta-lo. E ele, que hoje é apenas uma máquina de cavar ou de martelar, sentia assim no coração uma deliciosa angústia. O mistério está nisso: eles se terem tornado esses montes de barro. Por que terrível molde terão passado, por que estranha máquina de entortar homens ? Um animal ao envelhecer conserva a sua graça. Por que a bela argila humana se estraga assim ?
E continuo minha viagem entre uma população de sono turvo e inquieto. Flutua no ar um barulho vago feito de roncos roucos, de queixas obscuras, do raspar das botinas dos que se viram de um lado para o outro. E sempre, em surdina, o infatigável acompanhamento de seixos rolados pelo mar.
Sento-me diante de um casal. Entre o homem e a mulher a criança, bem ou mal, havia se alojado, e dormia. Volta-se, porém, no sono, e seu rosto me aparece sob a luz da lâmpada. Ah, que lindo rosto! Havia nascido daquele casal uma espécie de fruto dourado. Daqueles pesados animais havia nascido um prodígio de graça e encanto. Inclinei-me sobre a fronte lisa, a pequena boca ingênua. E disse comigo mesmo: eis a face de um músico, eis Mozart criança, eis uma bela promessa de vida. Não são diferentes dele os belos príncipes das lendas. Protegido, educado, cultivado, que não seria dele ? Quando, por mutação, nasce nos jardins uma rosa nova, os jardineiros se alvoroçam. A rosa é isolada, é cultivada, é favorecida. Mas não há jardineiros para os homens. Mozart criança irá para a estranha máquina de entortar homens. Mozart fará suas alegrias mais altas da música podre da sujeira dos cafés-concertos. Mozart está condenado. Voltei para o meu carro. E pensava: essa gente quase não sofre seu destino. E o que me atormenta aqui não é a caridade. Não se trata da gente se comover sobre uma ferida eternamente aberta. Os que a levam não a sentem. É alguma coisa como a espécie humana, e não o indivíduo, que está ferida, que está lesada. Não creio na piedade. O que me atormenta é o ponto de vista do jardineiro. O que me atormenta não é essa miséria na qual, afinal de contas, a gente se acomoda, como no ócio. Gerações de orientais vivem na sujeira e gostam de viver assim.
O que me atormenta, as sopas populares não remedeiam. O que me atormenra não são essas faces escavadas nem essas feiúras. É Mozart assassinado, um pouco, em cada um desses homens."
Só o Espírito, soprando sobre a argila, pode criar o homem.

Antoine de Saint-Exupéry, Terra dos Homens.

13 de janeiro de 2012

Ensaio sem muito ensaio

Titubeio. O buraco é mais embaixo? Onde fica? É de que tamanho? Não encontro respostas para Isso que encontro no meu país. E não vejo como não pensar a questão dentro do campo mais derrapante e sorrateiro da Filosofia: a discussão sobre a ética e a moral. Fora disso, não vamos nem daqui para lá. Ou nem imagino como posso ficar eu cá, com meus botões.
Vejamos. A hipótese última aparece primeiro: os comandantes dos navios negreiros ordenavam que os escravos fossem jogados ao mar, caso tivessem a embarcação atacada por inimigos. Os escravos eram "a carga". Era melhor "perder" a carga, fazê-la "estragar", a cedê-la aos inimigos em condições de uso. Os negros escravos não tinham alma. Os índios não tinham alma. (Ou a salvação da alma dos índios dependia de que fossem catequizados? Bom, pouco importa.) Quem nunca ouviu falar disso? Hipótese: esta prática, este modo de proceder, de compreender a ordem das coisas, reiterado durante séculos, não desentranha assim, facilmente. Desentranhou? Desentranhará?
O que nos diz um pensador morto na aurora deste século, familiar aos estudantes de direito, sobre o tema da discriminação? Diz-nos: numa primeira instância, "a discriminação se funda em um mero juízo de fato, isto é, na constatação da diversidade entre homem e homem, entre grupo e grupo. Em um juízo de fato deste gênero, não há nada de reprovável: os homens são de fato diferentes entre si (…) O juízo discriminante necessita de um juízo ulterior, desta vez não mais de fato, mas de valor: ou seja, necessita que, dos dois grupos diversos, um seja considerado bom e o outro mau, ou que um seja considerado civilizado e o outro bárbaro, um superior (em dotes intelectuais, em virtudes morais etc.) e o outro, inferior. (…) O processo de discriminação se completa em uma terceira fase, que é verdadeiramente decisiva. Para que a discriminação libere todas as suas consequências negativas, não basta que um grupo, com base em um juízo de valor, afirme ser superior ao outro. Pode-se muito bem pensar em um indivíduo que se considere superior a outro, mas não extraia de modo algum desse juízo a consequência de que é seu dever escravizá-lo, explorá-lo ou até mesmo eliminá-lo. Da relação superior-inferior podem derivar tanto a concepção de que o superior tem o dever de ajudar o inferior a alcançar um nível mais alto de bem-estar e civilização, quanto a concepção de que o superior tem o direito de suprimir o inferior". [Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. São Paulo: Ed. UNESP, 2002, p. 108-10 (com adaptações)].
Da primeira leitura, pode-se inferir que o autor consinta mesmo em que povos se julguem superiores a outros, caso tenham objetivos nobres. Complicado. Pensemos no Haiti. Será que os haitianos devem estar precisando da ajuda de outros povos? Uma resposta parece emanar: é claro, claro que sim! Mas há desdobramentos não aparentes. No fundo, continua complicado. Certo e errado, bom e ruim, primitivo e desenvolvido…
Bom, o tema desta reflexão não é propriamente a discriminação ou as ideologias discriminatórias. Elas são, por ora, a hipótese última, surgida de outros dois temas: cinismo e hipocrisia. Covardia seria quiçá um terceiro. Tomemos alguns exemplos. Comecemos com a bela reportagem da revista Piauí (janeiro/2012) sobre a criação da "Comissão Nacional da Verdade", da qual um trecho merece destaque, por sintético e acachapante: "Os juízes da Corte [Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos] entenderam da mesma forma: usar uma mesma lei para beneficiar os dois lados teria sido manobra de militares brasileiros para impedir o eventual julgamento, no futuro, dos seus crimes. Um dos juízes foi irônico. Disse que o Brasil encontrara, na Lei de Anistia, 'um jeitinho' para burlar a convenção da OEA que considera imprescritíveis os crimes de grave violação dos direitos humanos: 'O jeitinho brasileiro é muito útil. Só que nós temos uma formação mais cartesiana (sic). A Corte não conhece jeitinhos'". A matéria segue arrebatadora, com exemplos do que foi feito nos demais países da América do Sul - e outros exemplos do nosso jeitinho moral.
Pensemos nos dois chefes do executivo do estado e da capital fluminense. Falastrões. Fanfarrões. Sem o menor senso crítico. O desmando, a inconseqüência dos atos, a inconveniência dos seus comportamentos em público (estrategicamente falando, até mesmo para eles próprios, para suas finalidades eleitorais e de poder), a promiscuidade e a submissão aos interesses da iniciativa privada, tudo isso é menos impressionante do que sua falta de senso crítico. Bem, se pararmos para pensar, de quantas pessoas vive rodeada uma figura pública de alto escalão? Quantos assessores, secretários, assistentes, serventes, criados? Durante quanto anos eles se submetem diária e intensamente a tal atmosfera que bem pode ser comparada a uma corte real? Quantos se levantam para se posicionar - discordar, criticar ou apenas sugerir - ante a autoridade do rei? E, diante da realidade social brasileira, quão deletério, nefasto, danoso, isto pode ser para a melhoria do estado geral das coisas? O próprio Lula é também bom exemplo. Dele, se pode dizer no bom jargão popular: salto alto! Quanta afetação, quanta vaidade! De dar inveja no próprio Deus. É possível que Lula se orgulhasse (e se orgulhe) sinceramente de seu trabalho, mas, em que medida, tanta soberba não é fruto da bajulação solerte dos puxa-sacos de todos os níveis?
A mesma coisa se aplica à vida cotidiana dos simples mortais; e às relações profissionais, principalmente. Será por causa da mentalidade colonial, da ideologia moral da monarquia corrupta que aqui floresceu com esplendor - no bananal, no canavial, no cafezal? E semeiou também um profundo e malévolo sistema baseado em privilégios distorcidos, multiplicado intimamente em todas as relações sociais? Microfísicas de poder, diluídas em gestos aparentemente inocentes, mínimos… Quem se posiciona nas reuniões de trabalho?
"O Brasil não é um país sério", diz a lenda que disse um presidente da França. E a França é? A Alemanha? O Reino Unido? Os Estados Unidos são? Nossos vizinhos na América do Sul? O Japão? A Rússia? A Itália? Gargalhadas… Seria realmente tolo tentar fazer uma comparação deste nível. Seria absurdo, arbitrário, rasteiro. Mas nem tanto assim, por outro lado…
Existe hipocrisia em qualquer lugar, os cínicos estão em toda parte. Mas existem também diferentes níveis de tolerância com o desvio ético, com a farsa em público, com a mentira deslavada. E cidadãos mais ou menos aptos a compactuar, a fingir e a desconfiar das farsas.
Nosso mundo não gera mesmo homens para criar e duvidar. Gera homens para reproduzir e copiar. E obedecer. Trocadilos
É assim: o pensamento dá voltas… Quando se sente a leviandade com que se referem às crianças em "cracolândias", à ocupação criminosa dos latifúndios, à porradaria pelo metro quadrado nas cidades, às torturas passadas e presentes, aos desrespeitos aos direitos humanos, o pensamento dá voltas… Fica acuado, na sombra… A visão do advogado do Diabo: quem é então o corajoso, o rebelde, o que denuncia? Quem assume os riscos? O que acontece aos desobedientes? Fogueiras? Metafóricas - execração pública, perseguição. Se não funcionar, acha-se uma fogueira literal. E a hierarquia? Os fins justificam os meios para se defender a pátria… Nosso jeitinho: nossa Salvação e nossa Danação. Nosso lema de bandeira deveria ser: ME ENGANA QUE EU GOSTO: ACOMODA A MINHA CONSCIÊNCIA.
Desentranhará? Discriminação. Está aí o problema-mór? Na hipótese última? A ideologia discriminatória permite certa insensibilidade às injustiças. Ou é só safadeza mesmo? Pura calhordice?
Quando Saramago era apedrejado pela opinião pública portuguesa por seu "Evangelho Segundo Jesus Cristo", recebeu de uma leitora uma singela carta de apoio:
"Acredito em Deus (sou "protestante"), voto desde sempre no PSD e no dia 16 de março um exame médico confirmou que a minha Mãe ia morrer. O mundo virou-se de pernas para o ar e as certezas absolutas deixaram de fazer sentido. Emprestaram-me o seu Evangelho há um ano. Resolvi lê-lo, provavelmente porque estava zangada com Deus. […] A minha Mãe morreu há um mês. Continuo a acreditar em Deus e é n'Ele que eu encontro sentido para a vida. Não consigo compreender muita coisa. Não consigo compreender as críticas aos seus livros por parte da Igreja. Se as pessoas têm realmente fé e têm a certeza das suas convicções, então por que o medo, o pavor de ler um livro do Saramago?" [Cadernos de Lanzarote, 26 de julho de 1994.]
Deparei-me com este cartaz, no outro dia. Vai aqui, por belo:



Viver é muito perigoso, escreveu o Rosa. Mas por que escondemos nos outros nossos próprios demônios?

23 de novembro de 2011

Transcrições noturnas #05 - Arte da guerra

"Para terminar, invocaremos ainda um testemunho em favor da conversão da quantidade em qualidade, e esse testemunho será Napoleão, que descreve como se segue o combate da cavalaria francesa - mal montada, mas disciplinada - com os mamelucos, incontestavelmente a melhor cavalaria de seu tempo para o combate individual - mas mal disciplinados: 'Dois mamelucos eram, em absoluto, superiores a três franceses; cem mamelucos e cem franceses se equivaliam; trezentos franceses superavam comumente trezentos mamelucos; mil franceses derrotavam sempre mil e quinhentos mamelucos'". Engels apud Lukács em Prolegômenos para uma ontologia do ser social.

2 de novembro de 2011

Transcrições noturnas #04


"A crise desfigurava também a fisionomia cultural do país. Tinham ficado para trás os tempos em que tiragens de 100 mil cópias de clássicos como Dom Quixote ou Cem Anos de Solidão sumiam das livrarias em poucos dias. A média anual de livros publicados, que era de quase 45 milhões de exemplares em 1990, caíra para menos de 1 milhão. A impossibilidade importar papel-jornal suspendeu a circulação da maioria das publicações. Revistas tradicionais como a Alma Mater, editada desde 1922 pela Universidade de Cuba, o semanário Bohemia, fundado em 1908, a Casa, mensário cultural da Casa de las Américas, e até a Verde Olivo, veículo oficial das Forças Armadas Revolucionárias, tiveram que fechar suas portas. O diário Granma, órgão oficial do Partido Comunista e principal jornal do país, que na época das vacas gordas chegara a circular com mais de sessenta páginas, em formato standard, foi reduzido a um tabloide de seis páginas. O rigoroso racionamento de energia submetia a população a um calvário adicional. Um duro rodízio imposto ao país obrigava todos a passar dezesseis horas por dia sem eletricidade. Os cortes geraram picos de utilização de telefones entre as oito e meia e nove horas da noite, provocando congestionamentos na precária rede local. Ao investigar o fenômeno, as autoridades descobriram que naquele horário era exibida na televisão uma verdadeira febre entre os cubanos, as telenovelas brasileiras. Quem tinha luz em casa à noite fazia uma ligação telefônica para algum amigo submetido ao apagão e deixava o fone colado ao alto-falante do televisor para que o destinatário da chamada pudesse pelo menos ouvir o capítulo do dia".


MORAIS, Fernando.
Os Últimos Soldados da Guerra Fria. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.


30 de outubro de 2011

Berlim ao sol


Já era noite quando cheguei à Berlim e o que primeiro me chamou a atenção foi o cheiro de uma estação de metrô. Tradicional perfume de cidade, mas, como acontece em todas elas, definido por uma fragrância particular. Andando por Kreuzberg, eu buscava o endereço onde me hospedaria e não reparei que cruzava o traçado do antigo Muro. Apenas no dia seguinte, sob a luz do sol, ao atravessar despretensiosamente uma rua do bairro, percebi a inscrição no chão: "Berliner Mauer 1961-1989".

Ao contrário do que se poderia esperar, o encontro dessa marcação não me causou grande impacto. Senti que aquele fora apenas mais um dos muitos muros que, depois de construídos, foram derrubados num lugar com milênios de civilização. Curiosa sensação de tempo histórico que me fez pensar como estamos, pela primeira vez, tão perto e, como sempre, tão longe de uma verdadeira comunidade humana.

18 de outubro de 2011

Conselho em epígrafe

CAPÍTULO CXVI - FILOSOFIA DAS FOLHAS VELHAS

(...)
Outras vezes agitava-me. Ia às gavetas, entornava as cartas antigas, dos amigos, dos parentes, das namoradas, (até as de Marcela), e abria-as todas, lia-as uma a uma, e recompunha o pretérito... Leitor ignaro, se não guardas as cartas da juventude, não conhecerás um dia a filosofia das folhas velhas, não gostarás o prazer de ver-te, ao longe, na penumbra, com um chapéu de três bicos, botas de sete léguas e longas barbas assírias, a bailar ao som de uma gaita anacreôntica. Guarda as tuas cartas da juventude!
(...)
Memórias Póstumas de Brás Cubas. 1881. Machado de Assis

13 de outubro de 2011

Conversa com Malick





E os mesmos pássaros cantarão.










6 de outubro de 2011

Pensamentos esparsos

É preciso separar a carência do amor. Só o verdadeiro amor pode se equiparar à profundidade da carência humana.

11 de setembro de 2011

El 11 de septiembre

9:10 a.m.

"Seguramente, ésta será la última oportunidad en que pueda dirigirme a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las antenas de Radio Magallanes. Mis palabras no tienen amargura sino decepción. Que sean ella un castigo moral para quienes han traicionado su juramento (...).

"Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos (...). Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz ya no llegará a ustedes. No importa. La seguirán oyendo. Siempre estaré con ustedes (...).

"Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo abrirán las grandes alamedas, por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor (...). Estas son mis últimas palabras y tengo certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición."

Salvador Allende
Palacio de La Moneda, Santiago de Chile
11 de septiembre de 1973.

10 de setembro de 2011

Paleta

Monet

Depois de meditar sobre os últimos crepúsculos, encontrei a resposta para uma questão que me inquietava. Agora sei, deus é impressionista.

5 de setembro de 2011

"A esquerda precisa que as pessoas pensem, e seu papel, esteja ou não no poder, é o de descobrir [revelar] um tipo de problema que a direita quer a todo custo esconder."

Deleuze apud Castro (posfácio à Arqueologia da violência, de Pierre Clastres)

23 de agosto de 2011

Melancolia

Quando Pessoa escreveu que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto, acredito que estivesse tratando de um estado que há muitos séculos é conhecido como melancolia. Se, por um lado, uma explicação física para a melancolia nunca foi encontrada, a transformação desse estado em atributo meramente psicológico, por outro, tampouco resolveu a questão. À melancolia, porém, simplesmente não poderia ser atribuída uma causa. E qualquer explicação que se pretenda definitiva para esse estado corre o risco de diagnosticar outros sintomas. Pois a melancolia não é do corpo nem da alma, do gênero nem do indivíduo; ela é simplesmente a condição humana. E por ser humana é sempre uma síntese da condição individual e social, física e psicológica, interna e externa. É a síntese do conhecido com o desconhecido, do que continua com o que acaba, do universal com o singular. É um estado que só existe objetivamente em um, mas enquanto parte do todo. E mesmo objetivamente, não pode não ser subjetivo.

O social que existe como substrato da melancolia não é meramente o imediato. Quanto a isso, não existe diferença substantiva entre a melancolia dos Antigos e a do medievo. Mas é claro que, como qualquer fenômeno humano, a melancolia não existe isolada. A realidade se apresenta de uma só vez em toda sua complexidade, com suas múltiplas determinações, reciprocidades e contradições. Cada estado ou complexo do ser interage com os demais complexos e isso faz com que o resultado final seja algo a priori indefinível. Com isso, naturalmente, também o tratamento dado à melancolia é distinto com respeito a cada uma das sociedades que sobre isso deixaram notas. Visões de mundo distintas, por suposto, vêem de forma diferente a melancolia. E talvez seja possível identificar, sem ironia, que as tentativas atuais de resposta ao problema tendem a evoluir na direção da forma como ele foi tratado, no início, pelos Antigos, mas, contraditoriamente, esvaziando-o do que talvez seja a principal contribuição daquele sistema de pensamento Isso porque, se para a tradição que começa com Aristóteles a causa da melancolia era uma substância produzida pelo corpo (o humor negro ou bile negra), as tentativas contemporâneas de fundar todos os fenômenos psicológicos em bases psiquiátricas – superando o que seriam as “doenças da alma”, esfera onde foi encerrada a melancolia a partir de Freud – acaba por coisificar a melancolia na tentativa de encontrar quais substâncias químicas dentro do organismo respondem exclusivamente pela sua causa – o zinco, talvez? Perde-se, com isso, o assombro metafísico do tratamento Antigo, que, com suas ciências de baixa tecnologia, talvez tenha se aproximado mais do problema do que jamais poderão os modernos microscópios eletrônicos. Não que os microscópios não sejam revolucionários, mas é preciso saber bem para onde apontá-los.

Vivemos em um mundo com cada vez mais sentido prático. Mas esse pragmatismo que parece exacerbado é só aparência. Pois não seria pragmático acabar com a fome na África? O prático, no entanto, quase sempre sinônimo de rentável, transforma-se assim em empobrecedor. E o mundo prático-rentável que configuramos cotidianamente torna o vazio ainda mais fora de ordem, já que tudo precisa estar preenchido. Pois então o interdito à melancolia, incompreendida e transformada em patologia. Quando Mariano e os seus puxavam a angústia de Sabino sobre o Viaduto de Santa Teresa, creio que a vertigem que sentiam era sintoma da melancolia. A vertigem do não haver sentido absoluto para o mundo, da casualidade da vida e da ausência de respostas universais. E não se confunda melancolia com tristeza, apesar de as duas poderem caminhar juntas. Sente-se perfeitamente feliz e melancólico quando se assiste a um pôr-do-sol no cerrado. A melancolia é o olhar diretamente para nós mesmos, é a própria contemplação filosófica sobre o ser: seu devir, seu sentido, seu fim. Como diria Gramsci, todos somos intelectuais. Todos somos melancólicos. E se falta um sentido absoluto para a existência, percebê-lo não implica um convite ao caos, ao aleatório ou à exasperação da ação gratuita. Ter coragem para olhar de frente o tamanho do vazio em que habitamos é o primeiro passo concreto para preenchê-lo. Mesmo se não fomos feitos para sermos felizes, porque simplesmente não fomos feitos para nada – ou seja, com objetivo de nada – temos a chance de preencher essa breve existência com o melhor que há ao nosso alcance: a felicidade. Esse sentido de felicidade, justificado pela natureza prática da existência, é o que deveria servir de guia para nossa construção como indivíduos e como sociedade: desde a casa onde vivemos até a capacidade de superação de nossos obstáculos como gênero humano completo. A melancolia, como fio tênue entre genialidade e loucura, contém os nossos mais profundos sonhos, pesadelos e potencialidades adormecidas. Expressá-la é o que fizeram Cervantes, Beethoven e Van Gogh, por exemplo, que não faziam arte simplesmente, mas simplesmente humanidade em forma de livros, partituras e telas, alimentando-nos diante de um universo sempre indiferente à nossa genialidade ou loucura. O Paraíso é a promessa de extinção da dúvida, mas a transcendência de que precisamos não é divina, é humana. Por isso, nunca cessará a melancolia. Isso, afinal, é bom, pois nos faz homens em vez de imagens vendadas nas capelas do mundo.

27 de julho de 2011

Como Diria Odair

Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro

A felicidade é uma coisa tão difícil
Tão difícil de conseguir
Mas de vez em quando ela chega
Quando menos se espera
Quando nada se espera
Ela vem
E fica um pouco aqui comigo
Por algumas horas, minutos, segundos

Como já falou o sábio poeta Odair
Ouve aí:
Felicidade não existe, só momentos felizes
No mais são cruzes e crises

Sempre que eu tô feliz
Logo vem um infeliz
Se fingindo de amigo
Querendo apagar o meu sorriso
Que é o mais próximo do paraíso que eu consigo

Quando menos se espera
Quando nada se espera
Ela vem, vai, vem, vai, vem, vai, vem, vai
Vem, vai, vem, vai, vem, vai, vem, vai...

Para o Rodolfo

23 de julho de 2011

Onde mora a literatura?

v A emoção grifou-se em itálico amarelo.
v Recomenda-se a leitura em voz alta.


ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DO CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO BOA LUZ, CNPJ 68.702.513/0001-88, REALIZADA EM 12 DE MAIO DE 2011. Aos doze dias do mês de maio do ano de 2011, reuniram-se em Assembléia Geral Ordinária, os representantes das unidades do Condomínio do Edifício BOA LUZ, situado à Rua do Riachuelo - Bairro de Fátima, Rio Janeiro - RJ - CEP 20230-011, todos legal e devidamente convocados através de Edital de Convocação expedido no dia 03/05/2011, para deliberar sobre a seguinte Ordem do Dia: 1 -PRESTAÇÃO DE CONTAS; 2 - PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA; 3 - SUBSTITUIÇÃO DE MEMBROS DO CONSELHO CONSULTIVO; 4 - ASSUNTOS GERAIS. Com a presença dos condôminos ou representantes legais das unidades S1J.206/A, 315/A, 404/A, 513/A, 21 l/A, 616/A, COB.04/A, COB.01/A, 203/B, 505/B, COB.02/A, 815/A, 216/B, 703/B, 40l/A, 403/A. 313/A, 508/A, 706/A, 604/B,
SLA.207/A, SLJ.214/A, 101 l/A, 703/A, 707/A, 309/B, 101 l/A, 406/B, 202/A, 115/B, 602/A, 302/A,
906/A, 502/A, 909/A, 614/A, 907/A, 415/B, 1003/A, 1104/A, SLJ.203/A, 701/A, 809/A, 111 l/A, COB.03/B, 616/B, 314/B, 413/B E 609/B, devidamente habilitados, constantes da lista de presenças registrada no 
Livro de Atas, candidataram-se para exercer a função de Presidente da Assembléia, o Sr. João Alves da 
Silva (aptos. 302/A e 906/A), Dra. Ioná Cristina Araújo Butler (representante das unidades Slj. 206/A, 315/
A, 404/A e 513/A) e a Sra. Rita de Cássia P. Barreiros (Cob. 04/A). Cabendo aqui ressaltar que, a
condômina Eralda Martins da unidade 707/A, querendo impor à força o Sr. João Alves da Silva (302/A e
906/A) como Presidente iniciou um tumulto, do qual também participaram os Srs. João Antunes, Sra.
Marluce (202/A) e Sra. Marli Mendes (607/A), que a todo o custo tentavam impedir o início dos trabalhos. Votaram a favor do Sr. João Alves, as unidades 203/B, 505/B, 815/A, 703/A, 707/A, 302/A, 906/A, 614/A e
COB.03/B (9 VOTOS). Votaram a favor da Dra. Ioná Cristina, as unidades SLJ. 206/A, 315/A, 404/A, 513/
A, 31 l/A, 616/A, COB.04/A, COB.01/A, 216/B, 703/B, 401/A, 403/A, 313/A, 508/A, 706/A, 604/B, 
SLJ.207/A, SLJ. 214/A, 100l/A, 309/B, 406/B, 115/B, 602/A, 502/A. 909/A, 907/A, 415/B, 1003/A, 1104/
A, SLJ.203/A, 701/A, 809/A, 101 IA. 111 l/A, 616/A (35 VOTOS), e a favor da Sra. Rita, a unidade 602/A. 
Após a votação, foi eleita pela maioria para presidir a Assembléia, a Dra. Ioná Cristina Araújo Butler 
(representante das unidades Slj. 206/A, 315/A, 404/A e 513/A), a qual convidou a mim, Adilson José de
Oliveira (funcionário da Acir Administração S/A), para Secretário. Neste momento, a condômina Eralda 
Martins da unidade 707/A, pegou a cadeira em que a Presidente iria sentar-se e arremessou-a ao chão,
 passando então a quebrá-la, após quebrar a primeira cadeira, pegou ainda uma segunda cadeira, mas não
 conseguiu quebrá-la, pois um dos presentes a retirou de suas mãos. Composta a mesa, foi iniciada a sessão às 
19:40 horas, em segunda convocação, passando-se a discutir o item 1 da Ordem do Dia, PRESTAÇÃO DE
 CONTAS DE ABRIL/2010 A MARÇO/2011. Com a palavra, a Sra. Síndica que leu relatório sobre as
obras realizadas no último período, a saber: BENFEITORIAS: I - REALIZADAS: 1. unifonnes dos
empregados: 2. faxineiros também aos sábados e domingos; 3. faxineiros das 8 horas às 19 horas; 4. troca
das colunas de água dos bloco A e B; 5. empena externa do prédio e 6 áreas de ventilação bloco A; 6.
alojamento dos empregados; 7. modernização do sistema de segurança blocos A e B; 8. pintura das
portarias; 9. substituição da administradora; 10. rodízio dos funcionários; 11. dedetização semestral: 12.
desratização semestral; 13. limpeza das cisternas e caixas d água semestral; 14. limpeza mensal das caixas
de gordura; 15. modernização dos interfones das portarias a e b: 16. fechadura eletrônica nas portarias a e b;
17. manutenção anual dos equipamentos de incêndio; 18. colocação de portas de alumínio diversas; 19. revisão hidráulica dos apartamentos dos blocos a e b; 20. limpeza geral dos prédios e da garagem com retirada de entulhos; 21. automatização do portão de garagem do bloco b; 22. troca das antenas das colunas 1,3,5,7 do bloco a; 23. troca de emergência dos barbaras internos e externos de diversos aptos dos blocos A e B; 24. troca dos registros de água dos blocos A e B; ; 25. contas do condomínio em dia, principalmente INSS; 26. proibição de lavagem de carros na garagem, conforme reivindicação do condôminos na A.G.O. de 19/04/2010; 27. proibição de conserto de carros na garagem, conforme reivindicação dos condôminos na A.G.O. de 19/04/2010; 28. manutenção assídua dos elevadores dos blocos A e B; 29. ordem e moralização no prédio, conforme reivindicação dos condôminos na A.G.O. de 28/01/2008; 30. assessoria da Acir gratuita no mês de maio/2010; 31. assiduidade da síndica no condomínio; 32. restauração das cabines dos elevadores sociais dos blocos A e B; 33. retiradas da garagem e devolvidas aos proprietários diversas bicicletas, conforme reivindicação dos condôminos na A.G.O. de 19/04/2010; II - EM ANDAMENTO: 1. empena externa do prédio e 6 áreas de ventilação do bloco B; 2. troca das portinholas das lixeiras e das caixas de mangueiras de incêndio do bloco A: 3. pintura interna do bloco A; 4. troca das colunas de antenas do bloco A e B. III - A REALIZAR: 1. Modernização dos elevadores sociais dos blocos A e B, principalmente do bloco B; 2. Realização de obra no telhado do bloco A. Em seguida, apresentou relatório sobre a conta poupança do Condomínio, contendo os seguintes valores: Em 21/05/2010 foram pagos R$ 10.000,00 a título de honorários advocatícios à Dra. Clarice Moreira; em 21/06/2010 foram depositados R$ 5.000,00 a título de sinal de compra do apto. 509; à empresa MKS Reformas e Serviços Especializados Ltda foram pagas 10 prestações sucessivas de R$ 6.450,00; em 16/02/2011 foram pagos R$ 2.000,00 a título de sinal da modernização do sistema de segurança à empresa Vips Ltda, apresentando o saldo atual na conta poupança do Condomínio ((Banco Itaú) de R$ 405,97. Informou, ainda, que não teve apoio de dois membros do Conselho Consultivo, Sr. João Alves e Sra. Dinahir Ennes, sendo inclusive, obrigada a notificá-los através de correspondências via AR e com o envio de telegramas, para que registrassem o parecer sobre as contas do período acima mencionado. Ressaltando que, a Sra. Dinahir Ennes permaneceu com a pasta correspondente ao mês de abril de 2010 por 6 meses em seu poder, devolvendo-a em outubro de 2010, sem assiná-la. A Sra. Síndica narrou também aos presentes que, a Sra. Dinahir Ennes, foi testemunha da Administradora Serra Grande - em ação de danos morais contra o Condomínio - comparecendo inclusive no dia da audiência, que foi julgada improcedente, ou seja, a antiga administradora perdeu a ação. E assim, a Sra. Síndica indagou aos condôminos como poderia tal senhora continuar sendo Presidente do Conselho Consultivo se ela colocou-se contra o Condomínio. Durante a explanação da Síndica, a condômina Eralda Martins da unidade 707/A, manteve-se em pé ao lado da Presidente da Mesa proferindo insultos a todo momento a mesma e xingamentos a Sra. Síndica, chamando-a inclusive de "ladra". Com a palavra, a Sra. Dinahir (apto. 703/A), Presidente do Conselho Consultivo, informou que faz parte da Administração Interna do Condomínio há 12 anos, e sempre buscou ajudar no que fosse possível. Informou, ainda, que jamais se negou a assinar as Pastas de Prestação de Contas. Com a palavra, o Sr. Raimundo Batista Paulo (815/A) solicitou que constasse de Ata o seguinte: "a Sra. Síndica escolheu a empresa de engenharia que está executando a obra da fachada, sem aprovação de Assembléia, e que não foram levados os orçamentos para apreciação do Conselho Consultivo". A Sra. Síndica informou que a empresa de engenharia MKS Reformas e Serviços Especializados, foi escolhida por unanimidade entre as 8 propostas recebidas pela Síndica das mãos do ex-Síndico, pelos membros do Conselho Consultivo, Conselho de Obras e a Síndica que se reuniram em 29/04/2011, após aprovação da obra em Assembléia. Após intenso debate envolvendo o assunto, foram colocadas em votação pela Sra. Presidente, as contas do período de abril/2010 até março/2011, sendo elas aprovadas pela maioria dos presentes. Concluída a discussão do item 1, passou-se ao item 2 da Ordem do dia, PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA 2011/2012. Foi apresentada a Previsão Orçamentária elaborada pela Administradora Acir, demonstrando a necessidade de um reajuste no valor da cota condominial da ordem de 30%, mas tal reajuste nem sequer foi votado por conta do tumulto provocado pela condômina Eralda Martins da unidade 707/A, além do Sr. João Antunes e Sra. Marluce (202/A) e Sra. Marli Mendes (607/A) que chamavam a todo momento a Sra. Síndica de "ladra e safada" . Sendo assim, continuará fazendo-se rateio extra sempre que necessário. Neste momento, chegou uma viatura da Polícia Militar, solicitada por um dos advogados ali presentes, comandada pelo Sargento Rego do 13° Batalhão da Polícia Militar, que tentou apaziguar os ânimos. A seguir, passou-se à discussão do item 3 da Ordem do Dia, SUBSTITUIÇÃO DE MEMBROS DO CONSELHO CONSULTIVO. Com a palavra, a Sra. Síndica declarou ser necessária a substituição da Sra. Dinhair S. Ennes (apto. 703/A) e do Sr. João Alves da Silva (apto. 302/A), como membros do Conselho Consultivo e membros suplentes, considerando que eles nunca atuaram como tal, propondo, portanto, essa substituição. Colocada a proposta da Sra. Síndica em votação, foi aprovada pela maioria dos presentes. Como conseqüência, diante do exposto acima, a Sra. Rita de Cássia P. Barreiros (Cob. 04/A) assumiu a função de Presidente do Conselho Consultivo. A Sra. Nair Gerpe (apto. 602/A) assumiu como 2o membro efetivo e o Sr. Alcir dos Santos Silva (apto. 111 l/A) assumiu como 3o membro efetivo do Conselho Consultivo. Como membros suplentes, assumiu a Sra. Mônica Cristina de Matos Soares (apto. 406/B) e permaneceu a Sra. Maria Augusta Finoti (apto. 203/B). Finalmente, passou-se ao item 4 da Ordem do Dia, ASSUNTOS GERAIS. Nesse item, foram registradas as atitudes lamentáveis de alguns condôminos, como a Sra. Marli Mendes (607/A), Sr. João Antunes e Sra. Marluce (202/A) que tumultuaram a Assembléia do início ao fim, destacando-se a Sra. Eralda Martins (707/ A) destruindo o patrimônio que é de todos e que, neste momento, passou a agredir fisicamente a Conselheira Sra. Rita de Cássia (Cob. 4/A) e o condômino Gabriel Gonçalves (Cob. l/A), demonstrando um comportamento antissocial perante todos os presentes. Nada mais havendo a tratar, foram pela Sra. Presidente, encerrados os trabalhos e lavrada a presente Ata, por mim, Adilson José de Oliveira, servindo de Secretário.
PRESIDENTE: Dra. lona Cristina Araújo Butler (representante das unidades Slj. 206/A, 315/A, 404/A e 513/A)
SECRETÁRIO: Adilson Oliveira